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Embora juntos seguimos
caminhos opostos na vida
pois eu me afogo em desejos
e você na sua lida
E assim seguimos juntos
cada qual com seu desejo
assim ficamos cegos
cada um com seu pelejo
E nos sentimos tão sós
e nos sentimos tão tristes
se nos sentimos carentes
temos o orgulho em riste
É assim que me sinto, perdida
é assim que te percebo, ausente
é assim que tu me queres, vencida
é assim que eu te invejo, impotente
E assim ficamos juntos…
Eu com meu segredo, te amando,
você nos teus delírios, sonhando
eu com meu ciúmes, sofrendo
você em meus sonhos, me amando
Idéias me vêm
pego no lápis então
quando toco o papel
todas as idéias se vão
Olho pra fora e penso
que devo então desistir
pois as idéias me vêm
para em seguida fugir
Sei que brincam comigo
só pra me verem zangada
e o conseguem de fato
pois quero então pensar “nada”
Forço a mente, insisto
em achar ali qualquer besteira
mas a bagunça é tamanha
impossível ainda que eu queira
Rasgo o papel deixo o lápis
e saio pela rua a passear
aí elas jorram aos montes
só querem mesmo brincar
A idéia original
não se projeta no papel
assim como a imagem real
nunca alcança o pincel
Linha de costura
embaraçada sem carretel
a mente pensa e roda
como se fosse um carrossel
Assim também é a vida
como um pedaço de papel
onde se pinta qualquer coisa
até um pedaço de céu
As vezes se toma surpresas
qual uma taça de féu
lendo estórias bonitas
sobre quem nunca escreveu
Deixe passar e sorria
nada existe de fato
brinque de faz-de-conta
transformando-se a cada ato
Virá a Mensagem Serena
Como sereno na flor
dai sem perceber sentiremos
que de real só o Amor
Êta saudade danada
que arde no peito a queimar
uma dor forte e malvada
que faz até as vistas molhar
Não tinha asfalto nas ruas
não tinha mulher toda nua
a luz era só de lampião
mas, êta tempinho bão
Era difícil o doutor
mas não tinha doença também
mulher não via hospital
nem pra ganhar nenem
O Transporte era charrete
carro? Nem pensar não senhor
Para viagem distante
só ia o trem a vapor
Mas tinha festa de São João
C’aquelas fogueiras grandonas
e quentão e batata doce
e tinha também uma “dona”
Que mulher bonita de ver
que coração cruel e malvado
Inda hoje guardo no peito
essa paixão, meu pecado
Quando penso na “dona”
e na fogueira de São João
não sei o que me dói mais
o arrependimento ou a paixão
Era o meu melhor amigo
e tinha aquele mulherão
C’ quentão subindo à cabeça
ainda consegui dizer não
Ela ficou furiosa
contou pra ele uma estória safada
de ciúmes meu amigo
quis me dar uma apunhalada
Eu tinha que resolver bem ligeiro
se ia morrer ou matar
pensei até em outra solução
mas não dava mais pra conversar
Meu amigo estava cego
eu não queria que fosse assim
mas não dava mais pra pensar
ia ser dele ou meu o fim
Puxei também meu punhal
e num golpe de sorte e ligeiro
enfiei ele no bucho do homem
que caiu no chão bem rasteiro
Morreu ali mesmo o coitado
por uma mulher tão safada
e eu ainda guardo na mente
a cara daquela malvada
Quando chega São João
eu sempre me ponho a pensar
e sinto uma dor tão profunda
que faz meu pranto rolar
Meu amigo me perdoa
eu sempre imploro a noite
mas não adianta pedir
o arrependimento é açoite
Nessa noite de São João
vou meu amigo encontrar
vou dar um cabo na vida
C’aquele mesmo punhal.
Uma avalanche de idéias me invade
não combinam entre si, fico aflita
jorram casos e quimeras
não consigo separá-las, malditas…
O telefone toca, que droga!
as pessoas falam, me amolam
olho às paredes, um branco
o campo é vasto, quero algo franco
quero agarrar idéias reais
é impossível, sou frágil
me dispersam com coisas banais
Tento voltar às idéias
mas só as quimeras me vêm
ilusões de cores vibrantes
idéias claras não tem
Tentarei mais tarde então penso
para amenizar a excitação
preciso colocar no papel
o que vai no coração
Solto um grito e espanto
todas as idéias da mente
desfaleço então no vazio
daquele estado latente
Volto mais tarde a pensar
me vem à mente você
não quero sua lembrança
preciso somente escrever
Um papel
uma caneta
um pensamento
e está ai um verso novo
Um papel
uma caneta
um pensamento
e está ai um soneto novo
Um papel
uma caneta
um pensamento
e está ai um poema novo
Um papel
uma caneta
nenhum pensamento
e está ai um homem morto…
A falta que você me faz
é como dia sem sol
vara sem anzol
É como noite sem luar
pulmão sem o ar
É como sexta sem feira
pião sem fieira
É como roupa sem prega
luta sem trégua
É como dor de dente
óculos sem lente
É como garganta sem voz
é o partir logo após
É como açucar sem doce
como se eu não fosse
É como terra sem chão
Eu digo Não
Eu sei que você gostaria
que eu só dissesse coisas belas
Eu sei que você gostaria
que eu te chamasse de amor
eu sei que você gostaria
de me domar feito fera
eu sei que você gostaria
que eu te passasse calor
Eu sei que você gostaria
que eu te fizesse carinho
eu sei que as vezes eu faço
com que você se sinta sozinho
Eu sei que as vezes sou rude
e digo coisas pesadas
eu sei que as vezes pareço
uma pessoa banal
Convenhamos, aprendi como pude
com tantas frases casadas
com isso também eu pereço
por isso te dou meu aval
Eu sei que somos adultos
e devemos proceder como tal
as vezes somos só vultos
talvez não seja tão mau
Mas cada essência é única
e cada qual é um ser
por mais que eu tente mudar
o que se consegue é pouco
veste cada um a sua túnica
cada um o seu parecer
se é preferível sonhar
delire então feito louco
Pois se amar é só verbo
e saudade complemento
então, se não é imortal
valerá para nós o momento.
Outra manhã me levantei
como todas as manhãs
carrancuda, mau humorada
e, como todas as manhãs
me olhei no espelho e sorri…
Como nenhuma outra manhã
me deparei com um rosto triste
tão diferente do habitual
tentei sorrir outra vez
e vi um sorriso amarelo
tão diferente daquele
e de repente, num misto de surpresa e medo
percebi que estranhamente
havia esquecido a carapuça
e havia me deparado comigo mesma.
Embora num mundo único
em cada cabeça existe um
que por serem tão parecidos
não entendemos nenhum
Amigos que veem
amigos que vão
nem sabemos se amigos
só sabemos quando estão
Só sabemos que estão quando chegam
as vezes só quando se vão
nem ao menos os conhecemos
mas sentimos que fica um vão
as vezes levam lembranças
boas ou más mas lembranças
as vezes deixam saudades
as vezes esperanças
as vezes partem com mágoas
as vezes em solidão
as vezes partem sorrindo
escondendo o coração
Quantas pessoas já passaram
nem sabemos se boas ou más
afinal são pontos de vista
que diferença isto faz?
O tempo corre apressado
não podemos divagar
atropelados se paramos
temos que continuar
Oxalá proteja estes amigos
que, na dúvida os quero bem
que tenham saúde e paz
que os leve a felicidade, o trem.